- Portugal contou com quatro projetos finalistas – Fruta Feia, Refood, Guardiões do Mar e Novonovo – naquela que foi a edição mais participada de sempre dos Prémios Fundação Moeve.
A grande vencedora portuguesa foi a Fruta Feia, uma cooperativa que combate o desperdício alimentar na origem através de um modelo simples e eficaz: ligar diretamente agricultores e consumidores para valorizar frutas e legumes rejeitados pelos circuitos comerciais por razões meramente estéticas. Ao longo dos anos, a iniciativa tem contribuído para reduzir o desperdício alimentar, apoiar os produtores nacionais e promover hábitos de consumo mais conscientes. O projeto foi distinguido pelo seu impacto ambiental e social, bem como pelo potencial de replicação e crescimento.
Entre os finalistas esteve também a Refood, movimento de referência em Portugal na recuperação e redistribuição de excedentes alimentares. Através de uma vasta rede de voluntários, parceiros e centros locais, a organização evita diariamente que alimentos em perfeitas condições sejam desperdiçados, encaminhando-os para pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade. O projeto foi reconhecido pela sua capacidade de gerar impacto social direto e envolver as comunidades na construção de soluções sustentáveis.
As Guardiãs do Mar foram outro dos projetos portugueses finalistas. A iniciativa promove a conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos, combinando educação ambiental, ciência cidadã e envolvimento comunitário. O projeto procura sensibilizar para a importância da proteção dos oceanos e capacitar cidadãos para desempenharem um papel ativo na preservação da biodiversidade marinha, contribuindo para uma relação mais sustentável entre as comunidades e o mar.
A Novonovo destacou-se pela sua abordagem inovadora à economia circular. A iniciativa trabalha para prolongar a vida útil de materiais e equipamentos, evitando o desperdício de recursos e promovendo modelos de reutilização e reaproveitamento. Através da criação de novas oportunidades para produtos que de outra forma seriam descartados, o projeto contribui para reduzir o impacto ambiental e demonstrar que é possível criar valor económico e social a partir da circularidade.
Os quatro projetos portugueses representam diferentes áreas de intervenção, mas partilham um objetivo comum: criar soluções concretas para desafios ambientais e sociais, colocando as comunidades no centro da mudança.
Além da Fruta Feia, foram também distinguidos com o Prémio Fundação Moeve o DesaLIFE, um sistema inovador de dessalinização offshore que utiliza a energia das ondas para produzir água doce de forma sustentável em regiões com escassez hídrica, e o FORTALECE, da Universidade de Granada, que promove uma gestão mais eficiente da água através da valorização dos sistemas tradicionais de regadio e do envolvimento das comunidades locais.
Os três projetos vencedores partilham uma dotação financeira total de 120 mil euros, atribuída pela Fundação Moeve para apoiar o desenvolvimento das suas iniciativas. Para além do prémio monetário, beneficiarão ainda de um programa de mentoria e acompanhamento especializado, através do apoio de especialistas da Fundação, com o objetivo de reforçar a sua capacidade de crescimento, ampliar o impacto das soluções implementadas e acelerar a sua contribuição para uma transição ecológica justa.